E não é que tem coisas que se espalham pela boca, mãos, roupas, chão, cabelos, sujam sapatos e pés, mesa e lençol, e nos deixam assim, com a alma não tão alva, sujas, mas cheias de vida?

chocolate espalhado pelo rosto todo, salpicado de receita recém testada.
melão, manga, sorvete, doces açucarados, comidos e lambuzados entre mãos e bocas.
tinto degustado,
bebido,
sorvido,
tomado,
espalhado por toalha e lençol.
massa bem amassada,
molho bem fervido,
amor bem mordido,
pétalas e tantas outras flores maceradas entre pele e beijo,
dedos e dores,
espinhos e alguns tremores.
barro moldado
tinta pintada
caneta desenhada
história contada
poema que sobe pelos tornozelos e chove
entre as pernas.
azul de céu que escorre em dia de sol, tinge camiseta branca, e foge vermelho, em dia menstruado.
noite de lua cheia, sonhada insonemente,
e nós,
impunes,
manchadas de tudo que suja. E que limpa.

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