Não era noite, mas podia ser. Era um sábado com gosto de domingo, e tudo estava fora do lugar: órbitas, gatos, e até mesmo a poesia que se misturava à prosa, como quem cantarola cantigas de tempos remotos. E ela ali: lençol, sonho inacabado, e um punhado de pássaros que voejavam entre um pensamento e outro (dos varais, sentia-se o cheiro de roupa lavada, e da cozinha, era alecrim aquela alegria verde?). Meus ouvidos navegavam palavras de azul e frescor, meus olhos, marés inconstantes, tragavam a curva dos lábios, o sal de mares profundos. E nós: era noite, mas podia não ser. Era um domingo agora (re)começado.

Um comentário em “O sol, entre a nuca e o nascer dos fios de cabelos enluarados

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