Como todo fim de ano, lá vou eu reler diário (sim, tenho um. E não, não é diário: eptomadário, ou talvez, mais lacunar ainda), fazer o balanço de vida, saber se algo do que pensava ano passado, penso ainda (eu, que sou tão inconstante), se algum dos meus sonhos continuo a sonhar… E cada ano é uma surpresa: releio e penso, essa era eu?, essa sou eu?

Num dos trechos, “fui uma ficção barata e não descobri como me tornar um clássico”, resume o que 2015 foi para mim: pura desconstrução (no melhor tom melodramático Almodovariano possível). E voltando sobre os meus passos, percebo aquilo que todos sabemos: não há cálculos, não há fórmulas, não se pode julgar e nem prever. E 2016 me provou que às vezes sonhos que nunca sonhamos, se realizam. E são belos. E podemos ser mais azul. Mais asas. Mais ar. E muito mais (a)mar.

E não é essa, a poesia da vida? Gosto mais dos ímpares: que venha 2017.

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