O cair de tarde amarelo-caramelo com um sopro de outono deslizou pela janela, e o doce escorreu pela boca. Gosto de doce que se come em sonho. Doce tão doce que não tinha nada de batata-doce. Era doce duro, raspado, que não saía da boca. E ela pensou num sonho inacabado: em Paris, o sol percorria as ruas a cada passo seu. Era de um silêncio de manhã de campo, mas em Paris. Era um amanhecer em Paris como se fosse aqui. E aqui, era sol se pondo. E agora, é quase noite. É domingo, as aves migram à procura do verão, e ela se pergunta: que hora é essa, entre Paris e aqui?

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