Palavras que eu colecionaria: glutão, parcimônia e pintassilgo. Não sei como nem porque, e muito menos quando e com quem as usaria. Talvez só pra coleção mesmo.

Uma palavra que eu não quero? Não consigo pensar. Até das que eu não gosto, colocadas no lugar certo, talvez funcionem.

Tremor, torpor, e entorpecer me arrepiam. Árvore, amor e sorriso me fazem crescer. Escurecimentos e ingratidões me deixam a pensar. E sussurro, segredo e neblina me fazem silenciosa.

Tartamudear é palavra que sempre aparece quando penso em palavras. Olhos, mãos e nuca são as do corpo as que gosto mais (talvez também pés e costas). Das cores continua sendo azul.

Mar, ondas e boca me fazem diminutiva. E pele, pelos, e deserto sempre me arrastam para longe de mim, quase um desconhecimento (outra que gosto). Íntimo me é caro, e urtiga eu gosto de ver escrita.

Inútil eu prefiro à útil. Horas muito mais do que minutos. E tempo é palavra sem sentido e tão velha como meus próprios pensamentos. Pincel, folha e papel eu gosto. Ferocidade, medula e estrela parecem cravadas em algum lugar do peito.

Dos verbos nunca consigo decidir: eriçar ou sorver. Sonhar ou chover. Ir. Ficar.

Arquipélago é tão mais que eu não conseguiria explicar. Poema, lua ou alvéolos atrasam a respiração. Escarpada e rocha, se juntas, não há quem passe.

Quando penso na flecha: rio ou choro. Alucinante e noite nunca fecham os olhos.

Eu queria mesmo era deixar que todas me habitassem num único instante, e então, inundar-me de outra coisa que não essa voragem… Mas seria necessário um Nome.

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