Vida: simples assim

Quanto mais simples, melhor. E como é complicado….

  • O sol, entre a nuca e o nascer dos fios de cabelos enluarados

    Não era noite, mas podia ser. Era um sábado com gosto de domingo, e tudo estava fora do lugar: órbitas, gatos, e até mesmo a poesia que se misturava à prosa, como quem cantarola cantigas de tempos remotos. E ela ali: lençol, sonho inacabado, e um punhado de pássaros que voejavam entre um pensamento e […]

    Ana Júlia Poletto Um comentário 24 de fevereiro de 2018
  • Olhos vidrados

    Era mais que água, chuva ou temporal. Escorria pela nuca, testa, engolia a goles desérticos, aquele céu líquido de azul e transparência, saliva e suor, sede e umidades, nuvem e som. Do telhado às janelas, das pernas aos pés, de cabelos grudados aos pensares, lavava calçadas, descalça. Os poros bebiam de fora para dentro. A […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 16 de setembro de 2017
  • (des)conhecimento

    Porque há pessoas que nos fazem possíveis. Porque há fantasmas que dançam enlaçados em cortinas. Porque nessa luz translúcida, entre chuva e sol. Porque no silêncio da manhã, essas palavras todas. Porque quando um gato espreguiça. Porque somos mais que uma. Porque as doenças existem. Porque somos saudáveis e saudades. Porque as centáureas no jardim […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 7 de setembro de 2017
  • Linhas e limas

    É que assim, bem no início, nesse começo de semana que parece tão longa e tão funda, aparecem as laranjeiras em flor, abelhas entrando ouvido adentro em som e sol, feito colmeia construída em ar frágil que pensamento consome. E é assim, dentro de noite de verão que ainda não chegou primavera que esse cheiro […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 28 de agosto de 2017
  • Toda suja

    E não é que tem coisas que se espalham pela boca, mãos, roupas, chão, cabelos, sujam sapatos e pés, mesa e lençol, e nos deixam assim, com a alma não tão alva, sujas, mas cheias de vida? chocolate espalhado pelo rosto todo, salpicado de receita recém testada. melão, manga, sorvete, doces açucarados, comidos e lambuzados entre mãos […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 7 de agosto de 2017
  • Ficções

    porque enquanto ela vivia de sol, céu, gatos e cabelos que, verdes cresciam entre as amarelas flores do jardim, ela não precisava acreditar em realidade, não queria saber de detalhes, nem qualquer jornal ou rede. Porque enquanto a manhã acordava cheia de passarinhos, sua cama despertada por beijo e cheiro de verão em pleno inverno, […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 23 de julho de 2017
  • Tartarugas e colibris

    Do que precisava aprender, nesse momento frio e obsessivo era: como ser lenta e sábia, feito tartaruga que, diferente de todas as outras, hibernava 10 meses no ano em algum canto escuro de si mesma. e também como, ao invés de bater asas rápidas até atingir a transparência, também aprender a tirar das flores mais […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 21 de junho de 2017
  • Lentos pensamentos azuis

    Eu quero viver um dia inteiro, sem pressa e sem atraso, no tempo exato do céu, sol e lua. Porque tem dias que se arrastam, pesados, longos, feito século ancorado nas horas. Tem outros que voam, nuvem escapando pelo azul, sem chuva, sem. Difícil esse movimento de ralentar, diminuir passos, descarregar pesos, esquecer relógio de […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 13 de junho de 2017
  • Desutilidades

    Das coisas desúteis que tenho vontade de listar: 1- pelos de gato em roupa preta 2- verso que surge no meio da noite, fecunda poema, e some ao acordar 3- barulho de chuva em sábado preguiçoso 4- garrafa vazia, cheia até a borda de histórias da noite anterior 5- vela derretida (da mesma noite anterior) […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 4 de junho de 2017