Prosaicas

Aqui, sem métrica.

  • Impiedosas primaveras

    Aqueles que me conhecem um pouco, já sabem que ao abrir a primeira pétala, o texto que floresce dentro de mim é sempre o mesmo. Então, para não deixar o ritual esmorecer, aqui vai novamente, ela, sempre ela, Clarice à primavera: “Nesta dormente primavera, no campo o sonho das cabras. No terraço do hotel o […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 22 de setembro de 2016
  • Pequena narrativa meteorológica

    Pelas pontas dos dedos, na curva da nuca, entrelaçados nos calcanhares, naquele desenho de joelho, cintura e postura, no andar, não de pernas, mas de pensamentos, a voz que não é só cordas, garganta, boca e ar, mas pele poros céu ribombando dentro do peito da ideia daquilo que um dia nasceu em verde azul […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 18 de agosto de 2016
  • Entre goles de café, a via láctea

    Era do corpo que nascia o sol: mais precisamente, naquela curva do queixo. Em dias nublados, a névoa subia dos tornozelos, se escondia por detrás dos joelhos. Passarinhos esvoaçavam por entre as madeixas, e as flores abriam-se na palma das mãos. Por entre os dedos, brotavam nascentes, e no dorso nu, se fazia poente. Dos […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 27 de junho de 2016
  • Teus olhos roubados

    Não me importam os crimes políticos: sádica que sou, desejo Crimes de Amor. Numa Filosofia de Alcova, as dores (e os amores) estão repletos de odores. Libertemos as rimas de suas eternas prisões!, um ai de um cai, não sei fazer poesia não. O corpo delira em estrofes, e a respiração da palavra sôfrega, declama […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 26 de junho de 2016
  • Astrolábios

    Náufraga, de velas rasgadas, sonhei. Era noite. Bússolas e caminhos: tudo apagou-se. Era uma constelação inteira que me guiava por areias escaldantes, dunas mutantes, e tempestades distantes. Era um outro tempo, aquele vento que arrastava mundos, e eu perdida num canto que já não tinha voz. E você veio, rosa dos ventos, meu mapa perdido, me […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 3 de junho de 2016
  • Os pássaros na cabeça

    “Talvez ela tivesse percebido que a ponta dos seus dedos brilhavam, feito vagalume, quando tocavam em coisas que o deixavam feliz. Mas, se ficassem juntos, ele teria de contar sobre esse fato luminoso. Foi exatamente o que ela pensou enquanto seguiam para o restaurante. Tomaram um tanat, comeram comida típica do lugar. Ela tentando ignorar […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 19 de maio de 2016
  • As Mulheres de Adriana

    “A mãe nunca gostou que eu inventasse histórias e então tive de aprender a contar para dentro aquilo que perdeu o espaço do lado de fora”. “Sim, mulheres falam o tempo todo e falam sobre qualquer coisa, falam se atropelando, rindo e gesticulando. Mulheres quando ficam em silêncio são um problema sério e misterioso”. Dois […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 3 de maio de 2016
  • Virginia e eu

    “Com estrelas nos olhos e véus no cabelo, com ciclamens e violetas selvagens – mas em que despropósito estava pensando? Tinha no mínimo cinquenta anos e oito filhos. Caminhando por campos floridos e levando ao peito botões esmagados e carneiros caídos; com estrelas nos olhos e vento no cabelo – ela segurou sua sacola”. Uma […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 1 de maio de 2016
  • Na grama dos teus olhos, plantei um jardim

    Cada viga, coluna, compasso: era uma casa habitada no futuro. Nesse quarto, naquela escada, essa dança todas as noites. Olha o jardim, queria jasmim, não pela rima, mas pelo perfume. E o teu cheiro, esse teu jeito, essa morada no teu peito. Vinho, comida, e roupa no varal. Se eu pudesse escolher uma tarde, uma […]

    Ana Júlia Poletto Sem comentários 19 de abril de 2016