Era chegado o tempo em que se colhiam borboletas,
páginas
poemas.
Quando a noite estendia seu manto sonolento,
todos corriam para as janelas cansadas:
derramavam-se estrelas,
luares e
alguns sais de distantes ondas
desenroladas.
Nesses dias, a luz amarela aquecia o peito,
os olhos jardinavam,
e o pensamento
suava:
era tempo de peles voláteis.
Ingratos relógios,
marchavam.
Da janela escancarada,
o poema chegava feito brisa,
trazia cheiro
carícias,
e,
cruzando folhas e tintas,
deixava apenas
saudade.
Era tempo das coisas quietas.

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