Era inverno.
Mas pássaros cantaram a manhã,
flores insones despertaram o sol,
e no quarto,
era primavera.

Era inverno.
Mas seu corpo era mar,
e nos lençóis,
areia,
tempo
e um não-saber.
Na pele era verão.

Entre sonhos e folhas,
beijos e bocas,
cabelos e roseiras,
um olhar um jardim uma coisa que vinha
sem tempo
sem hora
sem nome:
ela era toda outono.

Era uma saudade:
que vinha assim,
todo tempo,
invadindo espaços,
esfriando dedos,
contornando travesseiros,
era domingo.
E ela, inverno.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *